Ivete Sangalo renova o tempo de alegria com EP carnavalesco

Música-título 'O mundo vai' sobressai no disco e se impõe como clássico instantâneo do repertório folião da cantora.

Capa do EP 'O mundo vai', de Ivete Sangalo Rafa Mattei / Divulgação Resenha de EP Título: O mundo vai Artista: Ivete Sangalo Gravadora: Universal Music Cotação: * * * ♪ Por mais que venha fazendo conexões com artistas de outros segmentos musicais nos últimos anos, como manda lei vigente na indústria da música pop, Ivete Sangalo é essencialmente uma boa cantora associada ao Carnaval.

Foi como vocalista da Banda Eva que a baiana Ivete despontou nacionalmente em 1993, despertando a atenção de ninguém menos do que Maria Bethânia pela voz quente e afinada.

O mundo vai – EP lançado por Ivete nesta sexta-feira, 24 de janeiro, com três músicas inéditas – reconecta a artista com essa origem carnavalesca.

Produzido por Radamés Venâncio, o disco lega um clássico instantâneo para o repertório de shows dessa cantora que sempre brilhou mais no palco pelo carisma incendiário.

De pegada agalopada, a música-título O mundo vai (Ivete Sangalo, Gigi, Ramon Cruz, Samir Trindade, Radamés Venâncio e Tierry Coringa) é simplesmente irresistível como os melhores hits da época áurea da axé music.

O mundo vai é aquela música feita para todo mundo “tirar o pé no chão” – como manda a cantora no shows que faz Brasil afora – e ir atrás do trio elétrico pulando que nem pipoca.

“Bota lá no grupo que o couro tá comendo”, canta Ivete em verso da letra dessa música que se conecta com tradições da axé music sem abrir mão de linguagem atual, mais coloquial e conectada com os tempos digitais.

É tempo de alegria industrializada na Bahia.

No disco O mundo vai, Ivete acena para essa indústria e para as pipocas de Salvador (BA) e de outros cidades do Brasil com alta dose de romantismo pop. Ciente de que nestes tempos às vezes mais importa um post do que um som para ficar bem na foto, a cantora divide com o youtuber piauiense Whindersson Nunes uma das duas músicas românticas do disco, Coisa linda, composição de autoria de Samir Trindade.

Nunes faz o papel de cantor sem constrangimento e sem fazer graça.

E, justiça seja feita, dentro do contexto do disco, o humorista funciona tanto quanto Tom Kray, o outro convidado de Ivete.

Cantor anteriormente conhecido como Tomate, Kray canta Não me olha assim com Ivete.

Essa composição de Luciano Luila, Ivan Lawinscky, Paulo Dutinni, Adenilson Peluso e Arthur Ramos poderia soar como tantas outras (triviais) canções de amor já gravadas por Ivete na carreira solo iniciada em 1999.

No disco O mundo vai, a canção é ajustada ao tom carnavalizante do EP, sendo introduzida pelo toque de berimbau e embasada com baticum que remete à batida do samba-reggae.

Tanto Coisa linda como Não me olha assim deverão enternecer seguidores de Ivete, já habituados com a diluição pop do repertório da cantora.

Para quem nem sempre vai atrás do trio elétrico desta verdadeira baiana, a grande música do EP é a faixa-título O mundo vai.

Com ela, vai rolar novamente a festa de Ivete Sangalo.

Categoria:Pop & Arte